Exposição de Siron Franco, pode ser vista em Goiânia até 31 de agosto

28/08/2026 | 0 comentários
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Após mais de três meses em cartaz e um recorde de público superior a 20 mil visitantes, a exposição "Expressões", do artista goiano Siron Franco, chega aos seus últimos dias de visitação em Goiânia. A mostra, considerada a maior já realizada sobre a trajetória do artista, será encerrada no próximo dia 31 de agosto, na Vila Cultural Cora Coralina, no Setor Central da capital.
 
A exposição reúne mais de 100 obras produzidas ao longo de mais de cinco décadas de carreira e apresenta ao público um amplo panorama da produção de Siron Franco, um dos nomes mais importantes da arte contemporânea brasileira. Com entrada gratuita, a visitação ocorre diariamente, das 9h às 17h.
 
Ao longo do percurso expositivo, o público encontra trabalhos criados entre as décadas de 1960 e 1980, período em que o artista ganhou projeção nacional e internacional, além de obras recentes produzidas em 2025, como Imigrantes. A seleção evidencia a permanência de um olhar crítico voltado para temas sociais, históricos e humanos que atravessam a realidade brasileira.
 
Entre os destaques da mostra está o núcleo dedicado ao acidente com o césio-137, considerado o maior acidente radiológico do mundo fora de uma usina nuclear. O espaço foi concebido com referências visuais à cápsula do material radioativo, utilizando elementos que remetem ao brilho prateado do pó e à luminosidade azul associada ao elemento. As obras abordam não apenas a tragédia em si, mas também seus desdobramentos sociais e emocionais, transformando a memória coletiva em reflexão artística.
 
A relação de Siron Franco com a história do césio-137 extrapola a produção artística. Após o acidente, o artista criou a série "Césio - Rua 57", com o objetivo de arrecadar recursos para auxiliar as vítimas por meio da venda das obras. Além disso, liderou mobilizações contra o preconceito sofrido por Goiânia no período, reunindo artistas e representantes da sociedade civil em iniciativas de apoio e conscientização.
 
Para o idealizador da mostra, Leopoldo Veiga Jardim, o espaço dedicado ao acidente possui um significado especial para os visitantes goianos. "Uma das questões mais comoventes desse conjunto de obras é perceber como Siron incorporou a terra de Goiás em algumas dessas telas, justamente em um momento em que o Estado era visto com desconfiança pelo restante do País, como se tudo aqui estivesse contaminado. Há um gesto profundamente simbólico nisso: transformar a dor coletiva em arte, memória e resistência. O objetivo da mostra é que o visitante não saia indiferente. É uma exposição para ser vivida com profundidade, para que as pessoas possam revisitar a nossa história e, de alguma maneira, sair dali transformadas", afirma.
 
Além do césio-137, "Expressões" apresenta uma instalação dedicada ao tema do feminicídio, cercada pela série de Madonas criada por Siron Franco entre as décadas de 1970 e 1980. As obras utilizam releituras críticas da figura da Virgem Maria para discutir violência, desigualdade e vulnerabilidade feminina, ampliando a dimensão sensorial da experiência e convidando o visitante à reflexão.
 
A exposição também percorre temas como memória, autoritarismo, exclusão social, desigualdade, sincretismo religioso e resistência cultural. Em vez de organizar a trajetória do artista de forma cronológica, a curadoria aproxima diferentes momentos de sua produção para evidenciar a atualidade de questões que permanecem presentes na sociedade brasileira.
 
Trabalhos históricos, como Arca de Noé e Pietà (1961), produzidos quando Siron tinha apenas 14 anos, dividem espaço com obras contemporâneas, revelando a coerência de uma trajetória artística marcada pela denúncia das injustiças sociais e pela construção de uma linguagem visual profundamente humanista.
 
Segundo Siron Franco, a proposta da exposição sempre foi promover uma experiência capaz de ampliar o repertório crítico e cultural do público. "A nossa ideia é trazer reflexões sobre fatos que aconteceram na história e que ainda reverberam na sociedade, por meio da arte. É muito gratificante mostrar obras que têm muito a dizer sobre a cultura, a identidade e a história goiana, brasileira e mundial, além de questões sociais urgentes e necessárias", destaca o artista.
 
Para Leopoldo Veiga Jardim, o sucesso de público demonstra a relevância e a atualidade da obra de Siron Franco. "Siron não produz uma arte apenas contemplativa. Sua obra provoca, denuncia, emociona e obriga o espectador a refletir. Temas como violência, intolerância, exclusão, feminicídio, autoritarismo e desigualdade continuam absolutamente presentes na contemporaneidade. Por isso sua produção permanece tão viva e necessária. Existe também algo muito singular em sua linguagem: ele consegue unir força estética e profundidade humana de maneira muito autêntica. A obra de Siron não envelhece porque fala da condição humana", conclui.
 
 
SERVIÇO
Exposição: Expressões, de Siron Franco
 Encerramento: 31 de agosto de 2026
 Local: Vila Cultural Cora Coralina - Setor Central, Goiânia (GO)
 Horário de visitação: diariamente, das 9h às 17h
 Entrada: gratuita
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